sábado, agosto 07, 2004

Tô cansado

Tô cansado do meu cabelo
Tô cansado da minha cara
Tô cansado de coisa vulgar
Tô cansado de coisa rara
Tô cansado
Tô cansado
Tô cansado de me dar mal
Tô cansado de ser igual
Tô cansado de moralismo
Tô cansado de bacanal
Tô cansado
Tô cansado
Tô cansado de trabalhar
Tô cansado de me ferrar
Tô cansado de me cansar
Tô cansado de descansar
Tô cansado
Tô cansado

Tomo emprestados de Arnaldo Antunes e Branco Mello esses versos que expressam bem o que estou sentindo. Tô de saco cheio de arranjar desculpas pra tudo e de auto-piedade, de não encarar o mundo com a maturidade necessária, de não ter metas definidas na vida por causa da estúpida justificativa de que "ainda tenho tantas coisas pra fazer", de insegurança e de covardia. E tô cansado de ouvir essa mesma ladainha, seja saída da minha boca ou de amigos, sobre relacionamentos, a vida, o amor, sempre atrás de razões pras coisas darem errado, quando é óbvio que a culpa é minha, é sua, é de cada um, não do outro. Enfim, não chega perto que eu tô puto da vida. Falando sério, não enche!