O mocinho morre no final
Quantas vezes um espírito de porco te contou o final do filme que você ainda não viu? Também tem sempre aquele engraçadinho que passa pela fila do cinema dizendo algo como "pô, uma pena que o mocinho foi embora e não ficou junto com a mocinha". Quase sempre mentira, só uma piada extremamente sem graça. E existem aqueles palermas que inadvertidamente te revelam o fim, como meu irmão fez uma vez, quando eu falei que ia assistir a um filme com o Macaulay Caulkin ainda moleque, na fase "Esqueceram de mim": "Ah, é aquele em que ele morre, né? Ih, foi mal, você não viu ainda!". Parabéns, estragou a diversão! Tudo bem, irmão e amigo a gente perdoa, eles não têm culpa de ser retardados.Toda essa dissertação se deve à propaganda de A Vila, que não cansa de alertar: "Os produtores e o diretor do filme pedem que você não revele o final a ninguém", ou coisa parecida. Não vi ainda, mas estou bem a fim, ainda mais porque muita gente indicou.
A tal da propaganda me lembrou de triste episódio em minha vida. Sabem "Os Suspeitos", aquele filmaço com o Kevin Spacey, Gabriel Byrne, Benicio Del Toro? Do Bryan Singer, que depois dirigiu os imperdíveis X-Men 1 e 2? Pois é, quando estreou, eu era assinante da Folha de S. Paulo (fazer o que, todo mundo tem páginas negras em sua vida...). Fui ler a matéria de sei-lá-quem sobre a película e me interessei pelo box que estava destacado. Então, em vez de ir primeiro ao texto principal, li o maldito box. Maldito porque o energúmeno que escreveu a porra da matéria revelava logo na primeira linha o grande segredo do filme!
Puta que lhe pariu, caralho, vai tomar no cu! Desculpem-me pela falta de sutileza na escolha das palavras, mas só esses palavrões expressam verdadeiramente a revolta que eu senti. Por que o filho de uma puta gorda foi dizer quem era o tal do Keyser Soze, o criminoso fodão do filme!
Depois de desejar a morte de todos os jornalistas da Folha, fui ao texto principal e descobri que o idiota colocava um alerta: "Não leiam o box se não quiserem saber o final do filme". Oh, imbecil, por que diabos você tinha que contar!? E quem foi que te disse, ó pusilânime, que as pessoas necessariamente vão ler a matéria principal antes? Alguém me explica a razão de alguns pseudo-críticos de cinema praticamente reproduzirem o roteiro do filme, tim-tim por tim-tim, do início ao fim, para falar sobre ele?
Eu já fui "crítico", quando trabalhava no caderno C do Correio Braziliense, e, por mais que minhas opiniões fossem equivocadas, eu tentava fazer as críticas com base no gênero do filme e numa análise técnica - uma forma bonita de dizer que eu enrolava legal. Agora, minha regra número um era: "Não conte o filme!". E se algum engraçadinho ler esse texto e tentar me contar o final de A Vila...

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