quarta-feira, setembro 08, 2004

O cara mais pilhado do mundo

Eu achava que tinha amigos muito pilhados, mas descobri que eles são umas amarelinhas fajutas perto de um francês que eu acabei de encontrar. Eu o conheci por conta de um casal amigo meu. O Charles, como o batizaram seus pais, trabalha na embaixada da França e está solteiro, embora tenha namorada. Ela voltou pra Paris depois de ficar pouco mais de um mês aqui, porque trabalha lá.

Na segunda-feira, depois de ir a um jantar na casa de uma amiga, chamei o Charles pra ir comigo à Macadâmia. Já era uma da matina, mas, feriadão na terça, encaramos o desafio. Minha gente, ele tomou a pista de dança de assalto de uma maneira que eu nunca vi igual! O cara é o supra sumo do surto, dançou feito um maluco até as cinco horas da madruga! Nem nos meus dias mais inspirados eu conseguiria acompanhá-lo.

Lá pras tantas, eu saí de fininho e fiquei ao lado da pista, enquanto o Charles quicava de um lado pro outro. É um relato literal: ele só pode ter um sistema de molas embutido nas pernas, porque não parava de pular. Eu me divertia só olhando, e um monte de gente na pista ria ao vê-lo rodopiar quinhentas mil vezes pelo salão. E quem conhece a boate sabe que aquilo lá é grande à beça, cansa muito circular por todo aquele espaço.

Todo mundo indo embora, a pista cada vez mais vazia, e o Charles lá, beat acelerado. Um cara que trabalha na Macadâmia, talvez DJ, não importa, de vez em quando ia acompanhar o francês, vendo quem pulava mais alto. E de tempo em tempo o Charles dava um salto em minha direção e perguntava: "Já querrr irrrr embora?" (ele fala bem português, já sabia espanhol antes de vir pra cá e está estudando muito nossa língua). A que eu respondia: "Fica à vontade, eu tô me divertindo, enquanto você quiser ficar, por mim tá beleza". E lá ia o Charles saltitando de volta.

Querem saber se o cara tomou todas, encheu a cara de energético ou consumiu alguma droga ilícita? Nananinanão! Seu combustível foram duas coca-colas.

Sei que eu me diverti pra caramba, e o Charles saiu de lá dizendo que nem gosta muito de música eletrônica. Com certeza ainda vou sair muito com ele. Talvez volte à Macadâmia no domingo, pro Sambão. A irmã dele vai estar aqui de visita e ele se animou de ir novamente lá, pra curtir música brasileira. Aos amigos que quiserem ir também e conhecer a figura, eu recomendo. Ele é muito engraçado, gente boníssima, e dá show de graça. Sintam-se convidados.