sábado, maio 07, 2005

Saudades

Eu, meu pai e minha mãe na minha posse na Câmara dos Deputados

No último dia 17 de abril, meu pai foi embora. Infelizmente, ele não vai mais voltar. Não comemorei com ele o título do Fluminense, não falei pra ele como estou me divertindo com minhas aulas de bateria, não disse adeus. Apenas o vi ali, naquela maca de hospital, um homem tão bom, cuja bondade foi tirada deste mundo. Seus olhos não podiam mais olhar pra mim, não podia me abraçar de volta, não podia responder quando eu dizia: "Pai, eu te amo muito".

Não há conforto que possa ser encontrado num momento assim, mas a saudade, agora tão doída, pelo menos registra um momento recente, quando tomei posse na Câmara dos Deputados e meu pai foi assistir à cerimônia. Ali, junto com minha mãe, eu disse a ele: "Paizão, eu só estou aqui por sua causa, você é responsável por isso". Ele respondeu que não, que era fruto do meu próprio esforço, e eu disse "não, tudo que sou devo a você". E disse a ele: "Eu te amo". E acho que foi a última vez que ele pôde me responder: "Eu também te amo, filho".

Todo amor, carinho e bondade que meu pai passou pra mim e meus irmãos, além de cada pessoa que teve a felicidade de conhecê-lo, eu vou tentar passar pra frente. Para os meus filhos que virão, direi: "Seu avô era uma pessoa maravilhosa, alguém sem igual, que fez do mundo um lugar muito melhor". Infelizmente, meus filhos não vou conhecer o avô, e meu pai não conhecerá seus netos. Mas, assim como em mim, eles terão marcados, no coração, a herança de meu pai. Como eu disse durante o funeral de meu pai, o mundo, a cada dia, tem amanhecido muito pior, porque ele não está mais aqui. Eu só espero poder espalhar as sementes de bondade que ele deixou para que, quem sabe, um dia, o mundo volte a ser tão bom quanto era quando meu pai sorria e vivia.

Deixo agora as palavras tão lindas escritas por minha irmã, Patrícia, como uma homenagem, de tantas que vou prestar a meu pai, Evaldo Macedo de Oliveira, enquanto eu viver.

Morte súbita

Tricolor o frágil coração
que na alegria de um gol
Explode em emoção.
No jogo,
a prorrogação deu ao time mais uma
vitória.
Da vida
a prorrogação chegava ao fim.
O grito de Sou campeão!
encerrava a glória
de um exímio lutador.
Fiel ao seu hino
"vence, com o sangue do encarnado".
A tardinha cai,
cai o corpo,
caem lágrimas em coro,
cai o estandarte de ouro.
Rasga o peito em dor,
rasga a camisa
em busca de um sopro a mais.
Cala-se a torcida.
Finda-se a vida.
Mas o rosto sereno avisa
que a festa continua lá em cima.
Eternos torcedores seremos,
nós, herdeiros de seu bem supremo:
Bondade, lealdade, integridade.
Três cores que agora misturadas
revelam a mais longa das partidas.
Vai, PAI, comemorar em outros campos.
Tão verdes de esperança,
com sangue nas veias,
sobre o branco das nuvens.
Eternamente campeão.