Gênese do brega

Não havia nenhum afrodescendente no grupo, mas o repertório da performática banda era um samba do crioulo doido. Começaram com as versões romena e brasileira de “Festa no apê” – você perdeu, Felipe! –, pularam pras brasileiras “Vou deixar” e “Do seu lado”, tocaram algumas dos anos 70, axé, mais funk, misturaram alhos com bugalhos e a galera adorou! Mas o que faz a diferença entre essa banda genial e outras tantas que já vi em bailes é a produção dos caras, as fantasias, alegorias e adereços que eles levam para o palco.
No início, os dançarinos estavam com roupas de pilotos de motocross. Na sessão anos 70, rapazes e raparigas trajavam fantasias bregas cintilantes. Num momento pseudo-rock’n’roll, em que uma dupla de cabeludos tocou uma balada melosa que nunca tinha ouvido em minha vida, um dos dois usava jeans metodicamente rasgados e o outro, se não me falha a memória, estava com calça preta de couro e uma pose de Sebastian Bach – lembram do vocalista do Skid Row? – de dar pena.
O auge do espetáculo, no entanto, ainda estava por vir. Eis que cinco caras sem noção entram no palco vestidos de índio, caubói, policial, operário e piloto de Harley Davidson para entoar os clássicos do Village People “Macho Man” e “YMCA”, com coreografia fiéis e levando a galera à loucura! Acho que nem os originais fariam melhor. Faltou apenas um cara vestido de soldado, mas nem precisava. Sucesso absoluto! Totalmente excelente! Tenho que ir a mais bailes de formatura em Goiânia.
P.S.: A Paula descobriu o site da banda (bandagenese.com.br) e eu achei a foto abaixo, com a galera de roupa de motocross. Aposto que vários dos meus leitores agora vão contratá-la pra festinhas aqui em Brasília.

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