quinta-feira, novembro 25, 2004

Bolo de álcool

2 ovos
500g de farinha de trigo
100g de maizena
4 doses de uísque
7 tequilas
10 cervejas
1 litro de vodca misturada com energético
5 smirnoff ice

Misture tudo, menos os três primeiros ingredientes, totalmente dispensáveis, beba ao longo de umas quatro horas e esqueça tudo, literalmente!

Respirando por aparelhos

“Quem matou o blog do Quito?”, perguntam meus leitores irados. Ele não morreu, só está vivendo numa bolha, isolado da sociedade corrupta e cheia de germes.

A verdade é que tenho trabalhado muito, parece até que voltei pra escravidão do Correio Braziliense! Mas tem muita diferença. Apesar das nove, dez horas de trabalho diárias que tenho experimentado várias vezes, a empresa onde estou agora é séria, tenho feriados, fins de semana, um bom salário e excelentes chefes (não é puxação de saco, minhas chefes nem sabem da existência desse blog, não vão ler o texto).

A empresa é tão legal, tão legal, que vai fazer uma confraternização de fim de ano com os funcionários dos três escritórios, São Paulo, Rio e Brasília, levando todo mundo pra uma festa de amigo oculto e dois dias em um hotel-fazenda, não sei se no Rio ou em Sampa, com tudo pago, inclusive as passagens. Muito bacana!

Pois é, hoje estou de molho em casa, um pouco de estafa por estar trabalhando muito, e aproveito pra tirar meu blog do necrotério. Tava lá por engano, respirando com dificuldades dentro daquela sacola com zíper onde colocam os mortos, ninguém reconhecia o corpo, foi ficando, foi ficando... E eis que eu o resgatei!

P.S.: A receita de bolos aí em cima é porque estou sem assunto. Não tentem fazer em casa.

quinta-feira, novembro 11, 2004

Quem matou a Quarta Vinil?

Inadvertidamente, estive presente ontem ao funeral da Quarta Vinil. Nem sei se era o funeral mesmo, ou missa de sétimo dia, ou quem sabe faz até mais tempo que a dita cuja morreu. O fato é, no entanto, e indubitavelmente, que ela morreu, se finou-se, escafedeu-se.

Fui lá eu reencontrar meu velho amigo que retornou da guerra no Vietnã, no Laos, no Camboja e em mil outros lugares onde andou perambulando, crente que ia reencontrar também aquele ambiente pilhadíssimo de gente se amontoando pra dançar e beber em meio metro quadrado de Gate's. Qual nada! O recinto não estava nem às moscas, pois mesmo elas têm dignidade suficiente pra só freqüentar ambientes com um nível mínimo de qualidade.

Meus amigos, meus inimigos, o que diabos aconteceu? O custo da entrada era de apenas três reais, tanto pra machos quanto pra fêmeas, sem nenhum aumento após as 23h! Para falar a verdade, a derrota era tanta que imaginei que o preço ia cair pra um real e cinqüenta centavos a partir da meia-noite. Entrei tranqüilamente por volta das 23h30, sem enfrentar nem um arremedo de fila, e, pra meu espanto, perigando sofrer um infarto fulminante tamanha a surpresa, havia mesas espalhadas pela pista de dança, e quase todas vazias! It's the end of the world as we know it!

Que saudades do tempo em que era impossível não esbarrar em alguém, minhas roupas ficavam imprestáveis de suor e cheiro de cigarro impregnado, a cada 15 minutos dava um rolé guerreiro acompanhado dos brothers in arms, pulava e gritava ao som de músicas como "I wanna be sedated", dos Ramones. E esse tempo nem está tão longe, há uns três meses, no máximo, estive na Quarta Vinil e me senti em casa.

É, mas parece que acabou. A Quarta Vinil morreu de morte matada. Sei o local do crime: o Gate's. Também sei o dia: quarta-feira. E sei ainda qual foi a arma: um bolachão de vinil. Mas não tenho a mínima idéia do motivo e do assassino.

terça-feira, novembro 02, 2004

O mal da expectativa

Vivemos cheios de expectativas. Expectativas sobre grandes temas, como encontrar a mulher ou homem perfeito, ter o trabalho dos sonhos, comprar uma casa ou apê maravilhoso. E expectativas do dia-a-dia, como ver um ótimo filme, ter uma exibição de craque no futebol ou no tênis, divertir-se como nunca em uma festa. A gente espera tudo, sempre mais, sempre o melhor. E isso é uma merda.

Porque ficar com tantas expectativas só gera decepções. Nunca, nunquinha, as coisas serão exatamente como queremos. E vamos ficando frustrados, reclamando da vida, quando o erro está em nós mesmos.

A situação é ainda pior quando projetamos nossas expectativas sobre alguém, um amigo, uma namorada, um familiar. Mesmo que a pessoa aja de acordo com o que esperamos, está errado, é injusto querer que ela faça isso ou aquilo, pense assim ou assado, sinta o que sentiríamos no lugar dela. E, em geral, esperamos algo que dificilmente aquela pessoa fará, porque simplesmente ela não é daquele jeito. Depois nos achamos no direito de cobrar, de reprovar, de xingar.

Por causa disso, também ficamos muitas vezes nos moldando ao que os outros esperam de nós. Não posso fazer isso, o que minha mãe vai pensar? Isso está errado, meu grande amigo sabe-tudo disse que não é certo. Pô, sai pra lá!

Eu não consigo nem vou agir segundo as expectativas dos outros. Posso errar ou acertar, mas vai ser nos meus termos. Claro que não sou um egoísta escroto que não está nem aí para o que os outros falam, mas tenho que viver minha vida, fazer minhas escolhas, sem dar trela para as opiniões alheias. Caso contrário, vou ficar parado, pois nunca vai haver uma unanimidade, uns vão dizer x, outros y, e eu provavelmente querendo z, fodeu.

Só tenho que aprender a aplicar essa regra para os outros também. Aceitar que ninguém vai agir necessariamente dentro dos meus parâmetros. Se eu me decepcionar, o problema é meu, não do outro. Ele vai arcar com as conseqüências de seus atos, quer sejam bons ou ruins pra ele, e eu não tenho nada que me incomodar.

Fique na sua, cara! É isso o que tenho a dizer. Mas, obviamente, para o seu bem, ignore minha opinião. Ou vai acabar se decepcionando...