quinta-feira, novembro 11, 2004

Quem matou a Quarta Vinil?

Inadvertidamente, estive presente ontem ao funeral da Quarta Vinil. Nem sei se era o funeral mesmo, ou missa de sétimo dia, ou quem sabe faz até mais tempo que a dita cuja morreu. O fato é, no entanto, e indubitavelmente, que ela morreu, se finou-se, escafedeu-se.

Fui lá eu reencontrar meu velho amigo que retornou da guerra no Vietnã, no Laos, no Camboja e em mil outros lugares onde andou perambulando, crente que ia reencontrar também aquele ambiente pilhadíssimo de gente se amontoando pra dançar e beber em meio metro quadrado de Gate's. Qual nada! O recinto não estava nem às moscas, pois mesmo elas têm dignidade suficiente pra só freqüentar ambientes com um nível mínimo de qualidade.

Meus amigos, meus inimigos, o que diabos aconteceu? O custo da entrada era de apenas três reais, tanto pra machos quanto pra fêmeas, sem nenhum aumento após as 23h! Para falar a verdade, a derrota era tanta que imaginei que o preço ia cair pra um real e cinqüenta centavos a partir da meia-noite. Entrei tranqüilamente por volta das 23h30, sem enfrentar nem um arremedo de fila, e, pra meu espanto, perigando sofrer um infarto fulminante tamanha a surpresa, havia mesas espalhadas pela pista de dança, e quase todas vazias! It's the end of the world as we know it!

Que saudades do tempo em que era impossível não esbarrar em alguém, minhas roupas ficavam imprestáveis de suor e cheiro de cigarro impregnado, a cada 15 minutos dava um rolé guerreiro acompanhado dos brothers in arms, pulava e gritava ao som de músicas como "I wanna be sedated", dos Ramones. E esse tempo nem está tão longe, há uns três meses, no máximo, estive na Quarta Vinil e me senti em casa.

É, mas parece que acabou. A Quarta Vinil morreu de morte matada. Sei o local do crime: o Gate's. Também sei o dia: quarta-feira. E sei ainda qual foi a arma: um bolachão de vinil. Mas não tenho a mínima idéia do motivo e do assassino.