Videokê
Minha vida é um livro aberto, eu não devo nada a ninguém. Então digo logo: fui a um videokê outro dia. E não foi a primeira vez. Já fui várias! E sempre foi legal!
É aquela história: você chega olhando pros lados, sorrateiramente, torcendo pra que ninguém conhecido te veja entrando. Foi assim na semana passada: Space Bar, na quadra do Na Venda, risco-país altíssimo de ser pego no flagra. Entrei lá, só duas amigas do trabalho, uma mesa com quatro pessoas, os garçons, derrota total, perspectiva de noite-fiasco. Mas não é que fiquei lá até 3h da matina?! E me diverti muito, muito, muito!
Acabou juntando uma galera, mais de dez pessoas na mesa, cantamos músicas ridículas, dançamos, tomamos cerveja, pagamos todos os micos possíveis e imagináveis. Fantástico!
Videokê também atrai umas figuras. Dois caras que devem ter ido direto pra lá do trabalho (ninguém sai de terno, eu acho), tentando pegar umas minas da mesa do lado, cantando músicas do quilate de Robocop Gay, dos Mamonas Assassinas, amarrando a gravata na cabeça. Outro cara sozinho – SOZINHO! – numa mesa, cantando só músicas de fossa – cantava bem, até –, e eu às vezes penso que tô mal. Quer dizer, nem sei, o cara podia estar se divertindo pra caramba, ser superfeliz, não vou julgar. Mas PELAMORDEUS!, sozinho num videokê, putz, não desejo isso pra ninguém, não!
Videokê é bacana. Eu recomendo. Mas não custa lembrar: olhe bem pros lados e tenha certeza de que ninguém te viu entrando.
Eu não quero ser humano
Muitas vezes tenho vergonha de mim, de fazer parte dessa humanidade cruel. É o caso agora. Vi um documentário chamado
À margem da imagem, sobre pessoas que vivem nas ruas de São Paulo. Sem-teto, sem-esperança. Na verdade, alguns têm esperança, conseguem rir da realidade. Eu, não. Nessas horas, a desesperança toma conta de mim.
Quando estávamos próximos à virada para o século XXI e ouvíamos todas aquelas previsões catastróficas de que o mundo ia acabar, muitas vezes pensei: “Que acabe!”. É uma grande merda mesmo. Qual o sentido de continuar existindo?
Não tenho do que reclamar. Acabo de comprar um carro novo, sou servidor público concursado da Câmara, não me falta dinheiro. Muito mais importante, tenho família e amigos que me amam. Posso fazer o que quiser, viajar, curtir, ter filhos que poderei educar sem que nada lhes falte, enfim, a vida é belíssima pra mim. O que só me faz sentir, nesse momento, que sou um grande filho da puta por acordar todo dia, me olhar no espelho e nem lembrar que bilhões de pessoas sofrem diariamente, não vivem, sobrevivem, que a natureza está sendo pilhada, que o mundo é dos espertos, dos gananciosos, dos inescrupulosos.
Atualmente, não estou movendo uma palha pra mudar isso. Já me mexi antes, tenho planos de voltar a fazer minha parte, mas que porra de parte é essa? Que grande diferença eu posso fazer? Ninguém precisa me responder: cada pequeno ato faz diferença, se tocarmos a vida de uma só pessoa, já estaremos mudando o mundo. Mesmo? Você acredita nisso? Eu tento acreditar, mas, no fundo, no fundo, não acredito. E o meu coração dói tanto, tanto, não consigo parar de soluçar. Soluços, sem solução.
Vou dormir, vou acordar, vou me olhar no espelho, escovar os dentes, arrumar o cabelo, vou trabalhar. Simples assim. Sem fé nenhuma na humanidade, mas fingindo que não é comigo. Foda-se, sou bem-sucedido, vou rezar pelos pobres, dar esmolas, fazer contribuições para entidades assistencialistas, tentar usar minha profissão de jornalista para que as pessoas sejam mais conscientes e ajudem umas às outras, não sejam corruptas, nem injustas, nem cruéis. Viva! Tudo certo. Não está mais aqui quem falou.
Comprei um carro, que não se chama Simca Chambord
Nada mais de histórias sobre minhas andanças de ônibus. Agora sou o feliz proprietário de um Palio, modelo novo, zerinho, meu, todo meu! E não dou carona pra ninguém! Detesto esses estorvinhos que ficam no seu pé!
Bem, já que não perderei preciosas duas horas por dia dentro de ônibus e caminhando pela rodoviária ou até a parada mais próxima, acredito que possa reverter a sentença de morte que eu mesmo havia decretado para meu blog. Até que tenho algumas coisas novas, e algumas não tão novas, pra dizer. Aos poucos vou tentando colocá-las na rede.
Pra quem está sedento por notícias, informo que o trabalho na Câmara tá bacana, estou me dividindo entre dois empregos pra pagar as dívidas (e agora a prestação do Palio), além de juntar uma grana pra viajar, estudar, enfim, curtir a vida adoidado. Entre os causos que contarei em próximos posts, a minha entrada na sociedade de uma chopeira (quem não entendeu, volte aqui depois pra explicação, com direito a foto), muita diversão com espuminha da alegria no Galinho da Madrugada (tá velho, eu sei, mas vou falar do Carnaval assim mesmo), sambão, cinema e sei lá mais o quê. É isso. Não me abandonem ainda!