terça-feira, outubro 26, 2004

Chuva dentro do ônibus

É uma beleza. Você pega um ônibus crente que vai estar protegido da chuva, e descobre que não é bem assim.

Hoje tive a minha primeira experiência de voltar do trabalho com São Pedro cuspindo insistentemente lá de cima. E não era uma chuvinha qualquer, era um temporal da porra. Ainda tive sorte de chegar à rodoviária antes do dilúvio.

Entro então no ônibus, sento-me “confortavelmente” num assento vazio do lado esquerdo e vejo que os primeiros pingos batem no vidro da janela. “Tudo bem, já estou aqui dentro, tranqüilo como um grilo, protegido da chuva”, penso. Oh, inocência!

Seguimos pelo Eixo Monumental, os primeiros pingos sendo seguidos por uma metralhadora de água, e eis que as vedações das janelas desse veículo moderníssimo em que me encontro começam a dar demonstrações de que não estão vedando chongas. Uma cachoeirinha se forma e sou obrigado a sentar-me mais próximo do corredor. Sorte que o baú está vazio, assim posso deslocar-me sem problema. Outros usuários do nosso eficiente transporte coletivo não têm tanta sorte assim e são obrigados a levantar-se e ficar no corredor.

Tudo bem, fora uns respingos, ainda estou seco. Só que uma poça vai se formando no assento ao lado do meu. A cada curva para esquerda, esse reservatório de água balança perigosa e ameaçadoramente. Até que não tem jeito, vem o ataque de H2O. Mas graças à minha agilidade, antecipo-me e levanto. Vitória! Oh, ledo engano! Pois a parada em que vou descer está chegando, o temporal continua e vou lá eu ter que enfrentar a fúria sacana dos céus.

Aí percebo como essa nossa cidade tem uma infra-estrutura urbana fantástica. Salto do ônibus na avenida comercial do Sudoeste e o que tenho pela frente? Barro, nada de calçada. Abro meu guarda-chuva comprado a 15 reais em L.A. (Lojas Americanas) – foi mal, Lu, roubei sua piada! – e vou procurando a parte menos enlameada pra me locomover. Chego a um prédio comercial, descanso um minutinho, subo uma encosta de grama e, finalmente, alcanço uma calçada de verdade. Legal, né? Só que nosso sistema de escoamento nota dez e o terreno em elevação à frente fazem com que a calçada seja na verdade uma corredeira ótima para rafting, eu diria que de nível quatro. Saco é que esqueci meu bote, os remos e o colete salva-vidas em casa.

Bem, fazer o quê? Sigo em frente, usando mais a grama ao lado da calçada do que a própria, até que desisto da aventura e me abrigo sob um prédio para dar um tempo. Fico ali lendo um pouco, prendo o guarda-chuva aberto no pé do banco depois de quase vê-lo ser carregado pelo vento e tic-tac-tic-tac, o tempo passa e a intensidade da chuva diminui.

Well, well, hora de retomar a caminhada, mais uns cinco minutos estarei em casa. Mesmo com a chuva já fraquinha, o desafio agora é evitar as poças d’água, que mais parecem fossas submarinas. E com essa iluminação pública sensacional, principalmente no Sudoeste, todo o chão à frente está preto, ou seja, quando menos esperar posso estar quase que literalmente indo para o brejo. Ainda fico preocupado que algum motorista debilóide passe muito próximo do meio-fio e me dê um banho.

Lar, doce lar. Finalmente vou entrando em meu apê, tomando o cuidado de antes descalçar o tênis ensopado – ainda bem que não saí de sapato. As barras da calça também estão todas molhadas e até a camisa ficou úmida atrás com os respingos. Enfim, tô quase tão molhado como ontem, quando joguei futebol debaixo de chuva. Só que ontem pelo menos eu tava me divertindo.

domingo, outubro 24, 2004

Ando meio desligado

Oi! Tudo bem? Como vai essa força? Eu vou bem, obrigado. É, nos últimos tempos não tenho estado muito pra papo. Sabe como é, muito trabalho, namoro firme e forte, alguns compromissos familiares. E o ano, meus amigos, tá acabando, muito diferente de como começou.

Fui a uma festa na última sexta-feira, aniversário de minha cunhada e mais uma meia dúzia de três ou quatro jornalistas do Correio Braziliense. Muito legal rever os amigos, pra variar subi ao palco pra cantar com a banda Temos Isso, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente.

Pra começar, não fiquei até o dia amanhecer quicando-dançando, como de costume. Tudo bem, os quatro chopes e a picanha fatiada e devidamente engordurada que havia consumido horas antes no Na Venda, mais o prato de arroz e frango fartamente servido na festa, uma coca-cola e uma cerveja serviram para deixar-me grávido de uns três meses (não chorem, mas abortei no dia seguinte). Assim, cada evolução ao som de rock'n'roll deixava o parto perigosamente próximo de acontecer. Mas não é só isso.

Eu, definitivamente, estou trocando de pele. Não, não vou me tornar um trintão chato, desanimado e barrigudo. Só que minha fase adolescente is finally over. Não que eu esteja reclamando da tríade sexo-drogas-rock’n’roll e das aventuras à la Barrados no Baile em que me envolvi durante um certo tempo – digamos que de julho de 2003 a julho de 2004. Foi muito divertido. Mas foi, passou. Está devidamente registrado na memória, em histórias engraçadíssimas, fotos comprometedoras e belas amizades construídas. Agora preciso viver novas experiências, porque ficar me repetindo nunca foi meu estilo.

Isto posto, meio que perdi o fio da meada, pois, pra variar, estou fazendo duas coisas ao mesmo tempo – escrevendo e vendo o MTV Rock e Gol de Domingo (o Latino é um dos convidados e está cantando agora, deprimente!). Mas acho que tá bom por hoje. Fiz meu textinho básico pro blog, cumpri o contrato e assim ele não será retirado do ar. Tchau e bênção!

sábado, outubro 16, 2004

A mulher do elevador

Eu trabalho num prédio daqueles supermodernos, com catraca eletrônica na entrada, vários elevadores espelhados, com botões acionados pelo calor e monitor interno exibindo o tempo todo trailers de filmes e comerciais. Dá até vontade de tirar uns intervalos no trabalho pra relaxar, entrar no elevador e ficar subindo e descendo por vários minutos, vendo televisão...

No entanto, tenho que confessar que sinto pena da mulher que trabalha dentro do elevador. Cara, que vida chata! Ela fica lá o tempo todo, manhã, tarde, noite, faça chuva ou faça sol, e ninguém conversa com ela, dá atenção, convida-a para uma happy hour.

Por isso, fico pensando em ir lá no ambiente de trabalho da moça e puxar um papo, tentar tirá-la daquele marasmo. Só que a timidez me impede. E acho que as outras pessoas iam estranhar, afinal, ninguém fala com ela.

Bem, mas o diálogo, imagino eu, seria mais ou menos assim:

- Oi, moça do elevador, tudo bem?
- Sobe.
- Você não está cansada desse tédio, passa o dia inteiro repetindo a mesma ladainha, enjaulada nesse cubículo, não conversa com ninguém?
- ...
- Não seja tímida, seu patrão não vai reclamar se você relaxar um pouco e bater papo comigo. Diga lá, de onde você é?
- Décimo andar.
- Como assim, décimo andar? Quero saber onde você nasceu. E no décimo andar não tem nenhuma maternidade, pelo que eu saiba. Vamos lá, abre o seu coração!
- Desce.
- Pô, moça, não seja antipática! Não vê que eu não quero descer. Quero ficar aqui e te conhecer melhor. Você parece tão triste e solitária, precisa de amigos.

Interrompe uma pessoa que acabou de entrar no elevador.

- Você está falando comigo?
- Não, tô conversando com a moça aí, mas ela não tá muito a fim de papo.
- ??????
- Térreo.
- Com licença (a pessoa sai assustada do elevador).
- Toda. Mas, hein, onde estávamos mesmo? Ah, você não me respondeu nada, né? O que você quer da sua vida?
- Sobe.
- Subir na vida? Claro, todo mundo quer. Por isso você tem que deixar essa atitude passiva, sair um pouco, procurar outras coisas pra fazer. Já prestou atenção nas propagandas que passam aqui nessa tevê? Tem umas boas oportunidades de emprego lá fora. O negócio é tentar, se arriscar.
- ...
- Sei que você já trabalha há bastante tempo aqui, deve bater um medo, uma insegurança. Mas vai lá, encare seus fantasmas, acredite em si mesma!
- Vigésimo andar.
- Bem, é aqui que eu trabalho. Aparece um dia, vamos tomar um cafezinho. Espero que esse nosso bate-papo tenha ajudado. Foi um prazer te conhecer.
- Desce.
- Calma, já tô descendo! Pensei que você tinha gostado de mim. Foi mal!

E a porta se fecha na minha cara.

É, agora entendo por que a mulher do elevador não conversa com ninguém. Puta mau humor! Deve dormir de calça jeans. Amanhã eu tento conversar com a moça do elevador da frente, quem sabe ela é mais simpática...

quinta-feira, outubro 14, 2004

Um brinde a Friends


Chegou meu DVD especialíssimo, exclusivíssimo, edição limitadíssima, só para Vips, com o último episódio de Friends, uma versão estendida, o episódio piloto e alguns extras muito legais, divertidos e bacanas! Uêba! Pra completar, de brinde vieram duas taças de champanhe personalizadas. Um brinde à série mais legal de todos os tempos!

Caros e caras, Friends me acompanhou pelos últimos dez anos. Em 1994, recém-contratado do Correio Braziliense e ainda morando com mamãe e irmãzinha no Lago Norte, assinei a TVA e entrei no mundo da tevê por assinatura, um vício muito do bom que me acompanha até hoje e me livrou do horror da tevê aberta. Nessa época, Friends passava na Sony, e eu não fazia idéia do que era, nunca tinha ouvido falar. O primeiro episódio que vi foi o do nascimento do Ben, filho do Ross, em que ele, a Phoebe e a Susan, mulher da Carol, ficam presos numa salinha do almoxarifado no hospital. Engraçadíssimo, very, very funny! É o penúltimo episódio da primeira temporada.

Depois de experimentar doses pesadas de risadas, nunca mais me recuperei e tive que acompanhar a série até o fim. Pra matar as saudades, fico vendo episódios antigos na Warner, e tenho também fitas e mais fitas gravadas nesses anos de dependência. Assim que tiver grana, vou lotar minhas prateleiras com os DVDs de todas as temporadas.

Pena que não existe mais a loja Cinetown, que ficava no Brasília Shopping e chegou a abrir uma filial no aeroporto. Depois que o dólar disparou, os caras foram à falência. Eles certamente teriam oferecido trilhões de produtos legais aproveitando o final da série. Ainda bem que deu tempo pra eu comprar duas camisas do Friends e uma caneca sensacional de capuccino, além de um boné.

Pra quem até hoje chora com a despedida de Chandler, Joey, Ross, Rachel, Monica e Phoebe, vai estrear no próximo mês a série com o palermão do Joey. Vi propaganda hoje na Warner. Estreou em setembro nos Estados Unidos e já teve cinco episódios, além do piloto. Podem dar uma conferida no site www.friends-tv.org/joey. E pra matar as saudades dos seis amigos de Nova York, o site oficial é massa: http://www2.warnerbros.com/friendstv/container.html.

Goodbye, my friends! E lembrem-se: I’ll be there for you!

quarta-feira, outubro 06, 2004

Fazer o que, eu vou fazer o quê?

Tenho sentido que minha audiência está caindo. Taí do lado o contador de acessos que não me deixa mentir. Alguns fiéis espectadores reclamam que tenho escrito pouco, outros querem textos mais criativos, aventuras saborosas, obras de arte literárias. Putz, quanta pressão! Meus neurônios nunca precisaram trabalhar tanto, e ainda por cima não ganho um tostão pra alimentar esse blog metido a besta.

Agora, por exemplo, o que posso escrever? Absolutamente nada de interessante vem à minha mente brilhante. Ainda assim, essa já é a sexta linha desse borne (não me perguntem o que significa essa palavra bisonha, coloquei “post” no tradutor do Alta Vista e saiu isso). É a arte da enrolação, desenvolvida em anos e anos de jornalismo.

People do meu Brasil, eu prometo que trarei do fundo do baú histórias do arco da velha, apontarei meu olhar perscrutador para as mazelas do dia-a-dia e produzirei textos fantásticos, fenomenais, espetaculares, incríveis, maravilhosos, soberbos, hilariantes e dignos de todos os adjetivos adequados que meu pobre vocabulário desconhece. Mas, antes de me despedir, listo abaixo um questionário com pérolas da grande dupla de dois Paulo Bonfá e Marco Bianchi, algumas delas já amplamente propagadas por débeis mentais do quilate de Felipe Coala Gay Campbell e Luiz Roberto Camelo das Arábias Magalhães – acabo de pescá-las na apresentação do VMB na MTV:

- Qual o resultado do cruzamento do quero-quero com o pica-pau?
- Você é um cara fechado, tímido, ou é um cara metido?
- A princípio, você parece um cara sério. Mas, por acaso, por trás você é todo gozadinho?
- Sei que você cuida bastante da alimentação. Você gosta de verdura?


Sem mais, fico por aqui. Não sem antes dar um conselho providencial, bem lembrado pelo indefenestrável Marco Bianchi:


“Se a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela”

terça-feira, outubro 05, 2004

Boas vindas

Direto da Filadélfia, a amiga Cibles resolve encarar seus fantasmas cibernéticos e cair na rede com um blog maneiro, spik-slouli-plis (www.spikslouliplis.blogspot.com). O título já mostra a criatividade da menina (pra quem não entendeu, é “speak slowly, please”, fala devagar que num tô entendendo nada). Ela tá passando uns apertos por lá, típicos de quem acaba de aterrissar na terrinha de Tio Sam e Bush filho (da puta). E já reportou um deles, uma experiência antropológica deveras interessante numa boate da moda por lá. Aê, Cibles, nova companheira blogueira, começou bem! Segue em frente que atrás vem gente!