Bobeira, felicidade e pérolas de sabedoria
Olha só, mal lembro o que tinha escrito antes, mas vou tentar repetir. Escrevi direto no Explorer, ignorando todos os avisos de "Cuidado, pode dar pau e você perderá seu texto", e me dei mal. Minhas sábias palavras escoaram no ralo do Windows. Ó, vida, ó azar! Mas não esquento, tô bem demais pra isso.
O texto começava mais ou menos assim:
Não sei bem por que, mas estou com um bom humor excepcional. Na verdade, sei por que, mas não sei explicar a razão. Quando a gente está feliz, está feliz e pronto.
(Aqui devia ter um outro parágrafo, eu acho, não tenho certeza. Mas, na dúvida, vou pular para o próximo, que desse eu lembro)
Mesmo com um ou outro estresse no trabalho, de uma hora pra outra solto uma imbecilidade ou uma pérola de sabedoria – porque quando estamos cheios de inspiração e alegria, soltamos as piadas mais sem graça, das quais normalmente só nós mesmos rimos, ou conselhos profundos e significativos, pois tudo fica mais claro, a vida se torna simples.
Claro que amanhã posso chorar, brigar, querer me jogar da janela. That’s life. Mas procuro aproveitar esses momentos pra apreender o máximo do prazer que é viver. Assim, quando a tristeza vier, posso vencê-la, derrubá-la, enchê-la de porrada, chutar sua cabeça quando estiver caída no chão pra ir embora e pensar duas vezes antes de voltar.
Estou distribuindo fatias da minha felicidade, com bordas recheadas de catupiri, aos meus amigos, ao amor da minha vida, a todos que precisem. Afinal, é o mínimo que posso fazer agora que estou de sorriso aberto.
Tá calor, tá seco, tô cansado, tô sem dinheiro, que merda, né? Merda nada. Tô feliz e saltitante, tomando uma Bohemia em frente ao computador, teclando no meu blog, teclando no Messenger, teleco-teco, tico-tico no fubá, ti-cutuco-mi-cutuca.
Ri que foi engraçado. Ri que eu tô mandando. Ri porque é muito melhor do que chorar, que é melhor pidí du qui robá. Falei, tá falado.
(E não é que lembrei quase tudo!? Balela essa história que álcool prejudica a memória. Tô na segunda cerveja e zuzo bem!)
Sem limitações

Já estava indo dormir, mas vi uma coisa que me emocionou tanto que tive que vir ao computador escrever esse texto. Estou falando da cerimônia de encerramento dos Jogos Paraolímpicos de Atenas. Pra quem não sabe, eles começaram logo depois das Olimpíadas tradicionais e terminaram hoje. O Brasil foi muito bem, ficou em 14º lugar, com 33 medalhas, sendo 14 de ouro.
Na festa de encerramento, houve uma apresentação típica chinesa, chamada "Dança dos mil braços", que me deixou embasbacado. Sensacional, um efeito visual inacreditável. É uma prévia do que vai rolar nos Jogos de Pequim, em 2008. Pra quem gosta de dança, recomendo procurar o vídeo dessa apresentação, ou de alguma outra do mesmo tipo de dança. A sincronia, o efeito visual, a beleza são de tirar o fôlego.
No entanto, o que me emocionou mesmo foram os atletas paraolímpicos. Eu procurei acompanhar pela Internet e na tevê por assinatura o que estava rolando. Não pude ver nada ao vivo, por causa do trabalho, mas comemorei muito o desempenho dos brasileiros.
Minhas palmas, porém, não vão só para os nossos compatriotas. Ver gente do mundo todo, com todo tipo de deficiência, superar tantas dificuldades que enfrenta na vida para praticar esportes com tamanha dedicação e competência é de arrepiar. Chorei mesmo, ao ver as imagens de diversas competições, dos pódios, das pessoas maravilhosas que estavam lá na Grécia mostrando o que é força de vontade, alegria de viver.

Confesso que esses são meus maiores ídolos a partir de agora. Ádria Santos, cega, que em cinco Olimpíadas conquistou 12 medalhas no atletismo. Clodoaldo Silva (esse aí do lado), paraplégico, que só em Atenas ganhou seis ouros na natação. Os jogadores da equipe de futebol de cinco, todos cegos, que trazem para o Brasil a primeira medalha de ouro do futebol, masculino ou feminino, em Olimpíadas ou Paraolimpíadas (e ganhamos da Argentina, nos pênaltis, na final!).
Meus amigos, citando uma música maravilhosa do Coldplay, Deus pôs um sorriso em meu rosto. E no de cada um de vocês. Então, sorriam! Como esses fantásticos atletas paraolímpicos.
O mocinho morre no final
Quantas vezes um espírito de porco te contou o final do filme que você ainda não viu? Também tem sempre aquele engraçadinho que passa pela fila do cinema dizendo algo como "pô, uma pena que o mocinho foi embora e não ficou junto com a mocinha". Quase sempre mentira, só uma piada extremamente sem graça. E existem aqueles palermas que inadvertidamente te revelam o fim, como meu irmão fez uma vez, quando eu falei que ia assistir a um filme com o Macaulay Caulkin ainda moleque, na fase "Esqueceram de mim": "Ah, é aquele em que ele morre, né? Ih, foi mal, você não viu ainda!". Parabéns, estragou a diversão! Tudo bem, irmão e amigo a gente perdoa, eles não têm culpa de ser retardados.
Toda essa dissertação se deve à propaganda de A Vila, que não cansa de alertar: "Os produtores e o diretor do filme pedem que você não revele o final a ninguém", ou coisa parecida. Não vi ainda, mas estou bem a fim, ainda mais porque muita gente indicou.
A tal da propaganda me lembrou de triste episódio em minha vida. Sabem "Os Suspeitos", aquele filmaço com o Kevin Spacey, Gabriel Byrne, Benicio Del Toro? Do Bryan Singer, que depois dirigiu os imperdíveis X-Men 1 e 2? Pois é, quando estreou, eu era assinante da Folha de S. Paulo (fazer o que, todo mundo tem páginas negras em sua vida...). Fui ler a matéria de sei-lá-quem sobre a película e me interessei pelo box que estava destacado. Então, em vez de ir primeiro ao texto principal, li o maldito box. Maldito porque o energúmeno que escreveu a porra da matéria revelava logo na primeira linha o grande segredo do filme!
Puta que lhe pariu, caralho, vai tomar no cu! Desculpem-me pela falta de sutileza na escolha das palavras, mas só esses palavrões expressam verdadeiramente a revolta que eu senti. Por que o filho de uma puta gorda foi dizer quem era o tal do Keyser Soze, o criminoso fodão do filme!
Depois de desejar a morte de todos os jornalistas da Folha, fui ao texto principal e descobri que o idiota colocava um alerta: "Não leiam o box se não quiserem saber o final do filme". Oh, imbecil, por que diabos você tinha que contar!? E quem foi que te disse, ó pusilânime, que as pessoas necessariamente vão ler a matéria principal antes? Alguém me explica a razão de alguns pseudo-críticos de cinema praticamente reproduzirem o roteiro do filme, tim-tim por tim-tim, do início ao fim, para falar sobre ele?
Eu já fui "crítico", quando trabalhava no caderno C do Correio Braziliense, e, por mais que minhas opiniões fossem equivocadas, eu tentava fazer as críticas com base no gênero do filme e numa análise técnica - uma forma bonita de dizer que eu enrolava legal. Agora, minha regra número um era: "Não conte o filme!". E se algum engraçadinho ler esse texto e tentar me contar o final de A Vila...
Cambista com cartão de visita
Incrível, mas verdade. O digníssimo senhor Allison Junio é um cambista de carteirinha. Só falta ter registro profissional.
Uma amiga minha foi comprar ingressos ontem pra apresentação de sábado do grupo Corpo. Já estavam esgotados, então o jeito foi apelar para um cambista. E não é que o cara de pau deu pra ela um cartão com número do celular, em que se diz "promotor de eventos". Tá lá escrito que o cara vende ingressos para shows e festas. Só falta montar barraquinha de venda em frente ao Teatro Nacional.
Grande prêmio
Minha amiga Michele escreveu recentemente um texto sobre a teoria do roletrando. Você vai ficando com várias pessoas, a roleta vai girando, você vai querendo mais e, quando pensa que vai ganhar um milhão, cai no perde tudo.
Pois é, confesso que minha roleta amorosa já rodou bastante e parou algumas vezes no perde tudo. Mas a cada volta fui ficando mais maduro, me equilibrando, deixando de ficar tonto. E depois de girar tanto, não é que ganhei o grande prêmio?
Descobri, à custa de várias derrotas, que sou o vencedor - aliás, nome de uma ótima música de Los Hermanos. Já cambaleei, caí, mas, felizmente, sempre me levantei. E percebi que é muito simples ficar de pé. Mais que isso, é possível pular, correr, dançar.
Todas essas voltas acabaram me levando pro mesmo lugar. No fim, ou melhor, no recomeço, parei onde queria, onde já tinha estado, onde sempre quis estar. Encontros e desencontros. Um abraço, um beijo, um sorriso bobo e fácil, a felicidade pulsante, a inevitabilidade do amor.
Mad about you
Pouca gente deve conhecer, mas tem uma série que durou sete temporadas na década de 90 e ainda hoje é exibida na Sony, chamada Mad About You, que falava de relacionamento a dois de forma que nunca vi igual. Juntamente com Friends, acho que é a sitcom que mais me marcou - um parênteses (sabiam que sitcom significa "situation comedy", comédia de situações? Cultura inútil é isso aí!). Infelizmente não tem DVD no Brasil e, pelo que vi, nos EUA só existem DVDs das duas primeiras temporadas.
Tenho uma caneca da série, comprada em uma loja que durou pouco tempo no Brasília Shopping, chamada Cinetown. Na caneca está escrito "You've got to be a little crazy to be in love!". É uma das melhores definições sobre o amor. E, no meu caso, Mad About You tem tudo a ver com a mulher que mais amei (e amo) nesta vida, e que me deu um livro escrito pelo ator e criador da série, Paul Reiser. O livro, em espanhol (ela me presenteou quando morava em Barcelona), se chama Sobrevivir en pareja. Um dos melhores que já li (falando nele, vou começar a relê-lo assim que terminar esse texto). Não sei se tem edição em português, e, desculpem-me, não é o tipo de livro que penso emprestar pra ninguém. Não tem dedicatória nem nada, mas tem significado especial.
A música de abertura da série, Final Frontier, também é fantástica, a letra está reproduzida aí embaixo.
I'm mad about you, baby!
Tell me why, I love you like I do,
Tell me who,
Can stop my heart as much as you,
Tell me all your secrets and I'll tell you most of mine,
They say nobody's perfect but it's really true this time,
I don't have the answers,
And I don't have a plan,
All I have is you,
So darling help me understand,
What we do,
You can whisper in my ear,
Where we go,
Who knows what happens after here,
Let's take each other's hands,
As we jump into the final frontier,
I'm mad about you baby,
I'm mad about you...
O cara mais pilhado do mundo
Eu achava que tinha amigos muito pilhados, mas descobri que eles são umas amarelinhas fajutas perto de um francês que eu acabei de encontrar. Eu o conheci por conta de um casal amigo meu. O Charles, como o batizaram seus pais, trabalha na embaixada da França e está solteiro, embora tenha namorada. Ela voltou pra Paris depois de ficar pouco mais de um mês aqui, porque trabalha lá.
Na segunda-feira, depois de ir a um jantar na casa de uma amiga, chamei o Charles pra ir comigo à Macadâmia. Já era uma da matina, mas, feriadão na terça, encaramos o desafio. Minha gente, ele tomou a pista de dança de assalto de uma maneira que eu nunca vi igual! O cara é o supra sumo do surto, dançou feito um maluco até as cinco horas da madruga! Nem nos meus dias mais inspirados eu conseguiria acompanhá-lo.
Lá pras tantas, eu saí de fininho e fiquei ao lado da pista, enquanto o Charles quicava de um lado pro outro. É um relato literal: ele só pode ter um sistema de molas embutido nas pernas, porque não parava de pular. Eu me divertia só olhando, e um monte de gente na pista ria ao vê-lo rodopiar quinhentas mil vezes pelo salão. E quem conhece a boate sabe que aquilo lá é grande à beça, cansa muito circular por todo aquele espaço.
Todo mundo indo embora, a pista cada vez mais vazia, e o Charles lá, beat acelerado. Um cara que trabalha na Macadâmia, talvez DJ, não importa, de vez em quando ia acompanhar o francês, vendo quem pulava mais alto. E de tempo em tempo o Charles dava um salto em minha direção e perguntava: "Já querrr irrrr embora?" (ele fala bem português, já sabia espanhol antes de vir pra cá e está estudando muito nossa língua). A que eu respondia: "Fica à vontade, eu tô me divertindo, enquanto você quiser ficar, por mim tá beleza". E lá ia o Charles saltitando de volta.
Querem saber se o cara tomou todas, encheu a cara de energético ou consumiu alguma droga ilícita? Nananinanão! Seu combustível foram duas coca-colas.
Sei que eu me diverti pra caramba, e o Charles saiu de lá dizendo que nem gosta muito de música eletrônica. Com certeza ainda vou sair muito com ele. Talvez volte à Macadâmia no domingo, pro Sambão. A irmã dele vai estar aqui de visita e ele se animou de ir novamente lá, pra curtir música brasileira. Aos amigos que quiserem ir também e conhecer a figura, eu recomendo. Ele é muito engraçado, gente boníssima, e dá show de graça. Sintam-se convidados.
London, London

Batendo papo com minha amiga Carolina Caraballo há pouco no Messenger, pintou uma sessão nostalgia e lembrei de minhas duas viagens a Londres, nos idos de 1997 e 1999. Adoro essa cidade, e certamente vou voltar a escrever sobre ela no meu blog. Nessa foto aí do lado, estou no mercado de Covent Garden, com apenas 23 aninhos.
Minha ligação com a Inglaterra é antiga, tem 31 anos. Por quê? Vocês estão lendo o blog de um cidadão britânico, nascido em Manchester em 17 de maio de 1973. É, tenho passaporte da Comunidade Européia. Cagada pura, meu pai tava fazendo doutorado por lá, vim ao mundo no Velho Mundo e, do alto de meus dois meses de idade, já estava no Brasil. Um cidadão britânico legítimo!
Pois é, depois que cresci e fiquei forte, descobri que tinha direito ao passaporte vermelhinho (meio vinho, na verdade) do Reino Unido e resolvi me aventurar por lá pra conhecer minhas raízes. Descobri que minha cidade-natal é feia pra cacete, mas pelo menos me dá o direito de torcer pelo Manchester United, que é um dos melhores times de futebol do mundo. Passei por lá um dia só, e aproveitei pra visitar a vizinha Liverpool - fui a um museu dos Beatles nas docas, maneiríssimo, tirei fotos até dizer chega e só quando saí descobri que era proibido fotografar (foi mal!). Mas a maior parte do tempo fiquei em Londres, acompanhado de minha amigona Andrea (sou padrinho do casamento dela), que estava morando na ilha, fingindo que estudava inglês.
Voltei a Londres dois anos depois, acompanhado de minha querida esposa, Luciana. Ficamos na casa de um casal amigo, ela, brasileira, ele, inglês, gente boníssima. Muitcho bom! Adoro a noite de Londres, os museus, as ruas, as lojas, os pubs, as praças, o metrô, os ônibus, os parques (na foto abaixo, eu e a Lu estamos no St James's Park, ao lado do Palácio de Buckingham). Enfim, vou voltar pra lá muitas vezes ainda, quem sabe morar um tempo. Sei que o clima é horroroso, tive sorte de pegar tempo bom nas duas vezes em que fui lá, mas tem tantas compensações que vale a pena.
Well, well, um dia desses escrevo mais sobre minhas experiências londrinas. Pra quem gosta de lá ou tem vontade de conhecer, vai a dica de um site interessante que acabei de descobrir:
www.visitlondon.com. See you later, aligators!