30 e contando
domingo, agosto 29, 2004
sábado, agosto 28, 2004
Mulheres do Brasil
Infelizmente, as Olimpíadas terminam e as brasileiras só conquistaram duas medalhas, no futebol e no vôlei de praia. Podiam, deviam ter ganhado mais. Hoje, as meninas do basquete e do vôlei de quadra perderam a oportunidade de levar o bronze. As primeiras sucumbiram diante da superioridade tática e técnica das adversárias. As últimas, por causa do despreparo psicológico.
Fiquei muito irritado, puto da vida, quando perdemos na semifinal do vôlei para a Rússia. 24 x 19 no quarto set, 13 x 10 no quinto, puta que pariu!, cacete!, elas não podiam perder. Amaldiçoei as jogadoras, principalmente a Virna. Mas não é justo. Não quero pensar mal delas. O que importa é que sejam boas pessoas, e acredito que a maioria é. Que são batalhadoras e excelentes atletas, tenho certeza. E espero que não aceitem o estigma de perdedoras, amarelonas. Pra mim, realmente amarelaram agora. Mas não quer dizer que vão fraquejar sempre, podem superar isso. Tinha dito que nunca mais torceria pro vôlei feminino, mas não vou fazer isso, continuarei apoiando, mesmo que fique puto outras vezes com derrotas inacreditáveis. Apesar dos pesares, elas merecem palmas.
Agora, quem merece palmas mais do que ninguém são as meninas do futebol. Foi a medalha mais legal do Brasil em Atenas. São mulheres humildes, lutadoras, que contam com quase nenhum apoio, e chegaram ao pódio. Mereciam ter vencido, foram roubadas na final - aquele pênalti não marcado pela juíza na prorrogação foi foda! -, mas valeu. Vi um especial na ESPN Brasil sobre a conquista delas e fiquei emocionado pra caramba. Que exemplo de vida, de coragem, de dedicação, de superação! Viva as mulheres do Brasil!
quarta-feira, agosto 25, 2004
Feliz aniversário, meu blog!
Um mês no ar, mais de 500 acessos, alguns leitores assíduos: Felipe, Paola, Alys, Val, Freddy, Lu, Bruno, Dri... Que legal.
Bacana acessar meu blog todo dia, torcendo pra ler comentários novos.
Bacana tirar minhas idéias da cabeça, às vezes anotá-las num papel pra não esquecer, finalmente teclá-las e clique!, estão no ar.
Bacana ver amigos tão queridos compartilhando minhas pequenas histórias e confissões, dando conselhos, sacaneando, fazendo elogios, sendo solidários.
Bacana, bacana mesmo.
Virei escritor, quem diria! Blogueiro, que seja, mas pra mim já tá bão demais. Aí, valeu gente. Aí, valeu Adriano. Você está fazendo você um cara mais feliz. Parabéns, meu blog! Muitos textos de vida!
É muito bom ser legal
Quero dizer, é muito bom ser legal pra alguém. Ou melhor, sou um cara legal, mas quero dizer que é muito legal fazer uma coisa boa pra outra pessoa. Bem, espero que tenham entendido.Outro dia, devolvi um celular que encontrei numa parada de ônibus. O dono ficou muito agradecido, foi ótimo tê-lo livrado da dor-de-cabeça de perder o aparelho. E hoje, voltando de ônibus pra casa, cedi meu lugar pra uma senhora que estava de pé, carregando uma sacola. Tinha um monte de marmanjo mais perto dela, mas ninguém se ofereceu. Não recebi aplausos, acho que ninguém notou, só a senhora. Mas foi o maior barato. Uma boa ação bestinha, que me deixou na maior alegria. Por isso repito: é muito bom ser legal!
domingo, agosto 22, 2004
Por perto
"Pode ser numa cançãoPode ser no coração
Eu só quero ter você
Por perto"
Essa música do Pato Fu, de letra tão simples, é uma das minhas prediletas. Adoro tocá-la ao violão, e tenho tanto prazer ao cantá-la que inevitavelmente um sorriso surge no meu rosto. Um dos momentos mágicos em que vale a pena viver.
Aventuras do baú
Minhas andanças de ônibus têm sido extremamente divertidas. A cada dia, uma nova aventura. Claro que é um saco ter que esperar o bendito passar, e você perde preciosos minutos dentro do veículo de transporte público até chegar a seu destino (tenho que deixar de ser burro e sempre levar um livro ou revista pra ler e aproveitar esse tempo). No entanto, estou ficando cheio de histórias pra contar, além de reacender reminiscências de minha adolescência, quando andar de busu era regra.Outro dia, melhor teclando, outra noite, por exemplo, vou eu correndo pra rodoviária do Cruzeiro Novo, na tentativa de achar um ônibus que me leve à L2 Sul. Sexta-feira, tarefa inglória, ainda mais porque já eram 21h30 e tinha combinado com minha amiga de chegar à casa dela às 22h.
Claro que, ao aterrissar na rodoviária, vi pelos horários que tinha perdido o ônibus por uns cinco minutos, e outro só passaria dali a cerca de uma hora. Ora, ora, que grande bosta! Que fazer? Descolar uma lotação pra Rodoviária do Plano Piloto e de lá fazer a baldeação (hahaha!, baldeação é demais!) pra L2.
Mas eis que, antes de pegar uma van, chega um ônibus com destino à Rodoviária. Pulei dentro, sem pestanejar. Nem idéia do trajeto. E não é que o baú vai tomando o rumo do Setor Policial Sul, seguindo determinado em direção ao Eixo L? Que sorte da porra! Saltei na parada da 212 Sul, praticamente na porta do apê da minha amiga. Muito melhor que ir pra L2. E cheguei lá pontualmente às 22h.
Legal desse negócio de não saber o trajeto do ônibus é que você conhece lugares novos, vai viajando como se estivesse num city tour. Às vezes não é tão legal, quando você começa a ficar com medo de onde diabos o motorista tá te levando. “Cacete, ele fez essa curva, eu pensei que ia seguir reto. E agora? Fudeu!” Bem, por enquanto, mesmo com voltas a mais, sempre cheguei aonde queria. Mas peguei um zebrinha desgraçado outro dia, com destino ao Setor de Autarquias Sul, que levou QUARENTA E CINCO MINUTOS, rodando, rodando e rodando, até chegar lá. Já estava a ponto de dar um tiro na testa.
Outra coisa interessante é essa tendência que quase todos temos de, ao entrar no ônibus, sempre procurar um banco totalmente vazio, pra não ter que sentar ao lado de ninguém. Nada de socializar-se. Quando não há opção, começa o escrutínio pra decidir ao lado de quem assentar-se. O olhar vai passando pelo interior do ônibus: “Homem, não. Homem, não. Mulher gorda, não. Homem, não. Mulher com criança de colo, não”. Eu ia escrever: “Gatinha, aí vou eu!”. Mas isso é quase um conto de fadas. Encontrar uma gatinha desacompanhada num ônibus é tão provável quanto o Rubinho ganhar do Schumacher. O negócio então é se conformar e sentar ao lado de uma mulherzinha qualquer, e torcer pra que tenha um perfume razoável (cara, como eu sou preconceituoso!).
Vem então uma reminiscência de “era uma vez, quando eu tinha uns 15 anos, e encontrei uma gatinha no ônibus”. Eu estava de pé, com uma mochila da Company pesadíssima, de frente para a garota, sentadinha e confortável. A linda menina, solícita, oferece-se para segurar meus pertences. Que gracinha! Sorri pra ela, que sorriu pra mim. Pintou um clima de romance. O que fiz? Nada, zero. O bocózão (tirei essa do fundo do baú) não teve coragem nem de trocar uma palavra com a menina. Ela foi embora – devo ter dito um “tchau” tímido, envergonhado e ridículo – e nossos caminhos nunca mais se cruzaram. Uma bela história de amor não se realizou.
É, triste. Mas, olhem só, quem sabe o destino não me deu uma nova chance, já que novamente sou usuário de ônibus, agora muito mais experiente e capaz de conversar com uma moça sem gaguejar e ruborizar? Tenho que arranjar uma mochila.
sexta-feira, agosto 20, 2004
Boa ação concluída
Entreguei hoje o telefone celular que encontrei há exatos dez dias numa parada de ônibus ao lado do Congresso Nacional. O dono me ligou e nos encontramos ao meio-dia na Rodoviária (nenhum dos dois tem carro). Aproveitei pra comer um churros de doce-de-leite por 50 centavos.Agradecido, o Ezequiel - nome do dono - disse que, qualquer coisa, posso ligar pra ele na liderança do PFL. Tô com a vida ganha, hahaha!
Interessante é que nesses dez dias, o telefone do Ezequiel só tocou duas vezes. Pelo jeito, ele é muitíssimo requisitado.
quinta-feira, agosto 19, 2004
Man at work
Pelo amor dos meus filhinhos!, diria o indefenestrável locutor esportivo Sílvio Luiz. Voltei a trabalhar nesta segunda-feira e em apenas quatro dias estou completamente, absurdamente, totalmente esgotado. Quero férias!
Acho que trabalhei em média umas nove horas, nove horas e meia nesses últimos dias. Tudo bem, não levei chibatadas, não é bem uma escravidão, mas, ponte que partiu!, eu estava na maior vagabundagem, fora de ritmo para enfrentar tantas horas de labuta seguidas.
Bem, o fim de semana já está chegando e vou poder descansar. Além das horas de trabalho, rolou um estresse porque, logo no primeiro dia de trabalho, descobri que teria que colocar um site no ar até amanhã! Claro que não estou fazendo isso sozinho, minha função é cuidar do conteúdo, mas é brincadeira sair do meu estado de inatividade completa e irrestrita e já encarar um pepino desses.
Com tamanha responsabilidade, meu pobre blog ficou entregue às traças. O coitado já estava ronronando e pedindo carinho, de tão abandonado. Eu sou um cara legal, não ia deixá-lo na mão tanto tempo, então estou batendo ponto hoje.
Meu endereço de trabalho é no Setor de Autarquias Sul, bem ali ao lado da Rodoviária. Bom pra mim, um reles pedestre e usuário de ônibus, que precisa ir e voltar do trabalho de baú. E olha só a descoberta que fiz, agora que freqüento assiduamente a Rodô: várias, eu disse várias, lanchonetes de lá estão com uma incrível promoção! Você compra um deliciosíssimo X-Tudo - pão, hambúrguer, alface, tomate, queijo e ovo -, acompanhado de um suco de 200ml, pela pechincha de um real! Perceberam? Um mísero real! Cara, McDonald's, nunca mais!
sábado, agosto 14, 2004
I'm so happy!
Serão 247 dias desempregado amanhã. Mais de sete meses, em que só fiz alguns free-lancers e passei a maior parte do tempo à toa. Muito legal no início, embora não tivesse grana pra viajar. Mas estava fazendo as provas do concurso da Câmara dos Deputados até março (passei) e esperava no máximo em junho estar trabalhando no Congresso Nacional. As coisas não funcionaram como eu imaginava, o tempo foi passando, o dinheiro, acabando, a angústia, aumentando, e estar sem trabalho foi se tornando um fardo cada vez mais pesado.Tudo isso é passado, minha gente! O 248º dia de desemprego não vai chegar! Na segunda-feira, exatamente às 9h da matina, adentrarei o recinto de meu novo trabalho. Uêba! A partir de setembro, a via de mão única que tinha se tornado minha conta bancária - com um absurdo fluxo de saída, nenhum engarrafamentozinho pra fazer meu pobre dinheirinho ir embora mais devagar - reabre a pista em sentido contrário. Hahahahaha, banqueiros sangue-suga, seus dias de luxúria às minhas custas estão contados!
Esse bem-vindo trabalho de assessoria é temporário. Espero eu que dure até eu ser chamado para trabalhar ao lado de nossos excelentíssimos deputados. Só sei que vou me dedicar com total entusiasmo, mesmo com uma pequena, diminuta ponta de insatisfação: não vou poder ficar 24 horas por dia ligado à tevê e à internet pra acompanhar as Olimpíadas de Atenas. Que chato, né? Mas tudo bem, tudo ótimo, tudo lindo e maravilhoso. EU TÔ FELIZ PRA CARALHO!!!
Aproveito aqui pra agradecer meus grandes amigos, que me deram muita força nesse período e, quando puderam, tentaram arranjar algum trampo pra mim. Agradeço meus irmãos, que eu amo tanto, e que sempre acreditaram em mim, mesmo discordando de algumas decisões que tomei. Agradeço meu pai, que fracassou ao tentar me transformar num pão-duro como ele, mas também sempre me apoiou, e a quem eu devo uma graninha, assim como a meus irmãos. E agradeço principalmente minha mãe, mãezona, mamma mia, que reza por mim todo santo dia, me ama a cada segundo, acredita em mim mais que eu mesmo e é a mulher mais maravilhosa desse mundo. EU AMO VOCÊS!!!
sexta-feira, agosto 13, 2004
Salve o esporte!
Passei a tarde hoje assistindo à abertura das Olimpíadas de Atenas. Belíssima, embora monótona em alguns momentos. O que vale mesmo, no entanto, é o final, quando a pira olímpica é acesa. Amante do esporte que sou, fico profundamente emocionado nesse momento. Os olhos inundados, vendo os últimos atletas carregando a chama, o público alvoroçado, os atletas que acabaram de desfilar mal contendo a excitação de estar ali. É muito mais do que sensacional. A espinha gela como quando o amor da sua vida cruza seu caminho.
Essa celebração de paz, solidariedade e integração entre os povos que o esporte promove me enche de otimismo, me faz acreditar que esse mundo tem salvação. Minha vida toda, seja como jornalista ou como praticante das mais diversas modalidades, experimentei as maravilhas que o esporte promove, uma função social importantíssima, mas infelizmente ainda pouco valorizada. Tanta gente sofrida, que escapa de uma vida desgraçada ao tornar-se atleta. E, mesmo que o esporte não vire uma profissão, ele inspira valores tão legais que te fazem uma pessoa melhor.
Quando eu era universitário e fingia que estudava jornalismo na UnB, tive a sorte de participar dos jogos internos da universidade, os mundialmente famosos JIUnB's. Fiz ali alguns dos melhores amigos da minha existência, gente que me acompanha até hoje. Cheguei até a jogar pólo aquático - mal conseguia evitar meu próprio afogamento, é cansativo demais! -, tamanho era meu entusiasmo em participar. O esporte causa isso, deixa você alucinado de alegria. Nunca vou parar, é um alimento essencial para minha sobrevivência.
Durante as próximas duas semanas, vou me esbaldar acompanhando os atletas das 202 nações que estão representadas em Atenas, torcendo feito um louco pelo Brasil, rindo e chorando, sentindo o raro orgulho de ser humano.
quinta-feira, agosto 12, 2004
Um celular esperando ônibus
Hoje achei um celular numa parada de ônibus - é, vida sem carro é dura, tenho que andar de baú, freqüentar a rodô, cantar "se essa porra não virar, olê, olê, olá!"... Bem, mas eu achei o tal de celular. E aí fiquei uns dois minutos pensando se pegava o dito cujo para descobrir quem era o dono e entregá-lo a ele.
De início, tive preguiça. Pensei em como ia ser chato procurar o cara e combinar uma forma de entregar o aparelho. "Vou ter que dar meu endereço pra pessoa ir buscar lá, explicar como chegar ao meu prédio (não é fácil achar o edifício Beta Studios na CCSW 05, lote 03 do Sudoeste)." Enfim, ia ser um saco.
Aí, pintou meu lado chauvinista. "E se a dona for uma gatinha? Vou conhecê-la, ela vai ficar agradecida, sensibilizada com a minha solidariedade... Não, não, quantas gatinhas pegam ônibus diariamente ao lado do Congresso Nacional? E, pelamordedeus, você só vai ser legal porque existe uma remotíssima possibilidade de conhecer uma mulherzinha!? Toma vergonha na sua cara!"
Finalmente surgiu em minha mente pervertida um pensamento que eu deveria ter tido logo de início: é uma merda perder qualquer coisa, principalmente sem saber onde foi, um celular, então, a maior dor de cabeça. Vai que um mané pega o telefone e rouba, sai passando trote, prejudica a vida do coitado(a) que deu o azar de deixar o troço ali no banquinho da parada de ônibus.
Nesse momento, eu tava sentado bem perto do celula, fazendo de conta que não via, que não era comigo, sem dar conversa pra ele. Ao chegar à acertada conclusão de que tinha que passar a mão no objeto inanimado e ser um bom samaritano, olhei pra ele, fingindo surpresa - "Oh, um celular perdido!", como se alguém mais na parada estivesse aí pro que estava acontecendo ou prestando atenção no meu estúpido teatrinho -, e tomei posse.
Fiquei ali procurando o nome do dono - desconhecido -, tentei ligar pra alguém da agenda - era pré-pago e não tinha crédito - e perdi um zebrinha que ia pro Sudoeste. Quando já estava em casa, alguém ligou procurando o Ezequiel - é, o dono do celula -, eu expliquei o ocorrido e o sujeito anotou meu número pra passar pro legítimo proprietário do aparelho. Ezequiel em pessoa me ligou mais tarde e, como ambos somos desprovidos de carro e eu não trabalho no Congresso - estava lá de passagem -, ainda não definimos como ele vai reaver seu telefone, que repousa silencioso em meu sofá.
Todo esse texto pretensamente engraçadinho esconde uma moral muito séria: como a preguiça, o egoísmo e a falta de iniciativa podem fazer com que a gente não ajude o próximo. Hesitei durante uns 120 segundos para tomar uma atitude simples, que não me atrapalhou em nada e, para o Ezequiel, significou um grande alívio. E é bem provável que várias pessoas na parada de ônibus tenham visto o celular antes de mim e deixado pra lá. Na verdade, não fiz nada de mais. Mas posso fazer muita coisa, podemos fazer muita coisa, ajudar realmente muita gente, se deixarmos a preguiça e o egoísmo de lado, desligarmos a tevê e o computador, “sacrificarmos” um cinema, um fim de semana no clube, e dermos uma olhadinha pro lado, praquele celular abandonado e que precisa apenas que estiquemos a mão pra ele.
segunda-feira, agosto 09, 2004
Observatório da vida
Essa foi a melhor definição que achei para o blog Adorodeio, de autoria da amiga Pequena. O título do blog já demonstra a criatividade dessa menina. Nada a ver com rodeio. É a fusão de "adoro" e "odeio", síntese do que ela quer transmitir com seus textos. Acabo de ler uma série deles agora e são todos excelentes. Um olhar penetrante e fascinante sobre pequenas coisas da vida, que se transforma em opiniões saborosas, um blog para ser degustado com imenso prazer.Longe de você
Eu não sei mais quem souEu não quero você
Longe de mim
Ver você de partida
Racha meu coração em dois
Duas partes sem vida
Sem pulsação
Eu não faço sentido
Eu não sei viver
Longe de você
Não existe saída
Não sei mais não tem pra onde ir
Sua voz está viva
Mas não ouço mais
Perto de mim
Ver você de partida
Faz meu sangue parar de correr
Minhas veias sem vida
Sem pulsação
Eu não faço sentido
Eu não sei viver
Longe de você
Cinco anos se passaram, e esse poema-canção que escrevi ainda bate forte dentro de mim. O amor é algo realmente inesgotável.
sábado, agosto 07, 2004
Tô cansado
Tô cansado do meu cabeloTô cansado da minha cara
Tô cansado de coisa vulgar
Tô cansado de coisa rara
Tô cansado
Tô cansado
Tô cansado de me dar mal
Tô cansado de ser igual
Tô cansado de moralismo
Tô cansado de bacanal
Tô cansado
Tô cansado
Tô cansado de trabalhar
Tô cansado de me ferrar
Tô cansado de me cansar
Tô cansado de descansar
Tô cansado
Tô cansado
Tomo emprestados de Arnaldo Antunes e Branco Mello esses versos que expressam bem o que estou sentindo. Tô de saco cheio de arranjar desculpas pra tudo e de auto-piedade, de não encarar o mundo com a maturidade necessária, de não ter metas definidas na vida por causa da estúpida justificativa de que "ainda tenho tantas coisas pra fazer", de insegurança e de covardia. E tô cansado de ouvir essa mesma ladainha, seja saída da minha boca ou de amigos, sobre relacionamentos, a vida, o amor, sempre atrás de razões pras coisas darem errado, quando é óbvio que a culpa é minha, é sua, é de cada um, não do outro. Enfim, não chega perto que eu tô puto da vida. Falando sério, não enche!
quinta-feira, agosto 05, 2004
O bom e velho Woody Allen
Woody Allen está longe de ser uma unanimidade. Ou, talvez, perto de ser uma, mas negativa. Afinal de contas, seus filmes costumam ter bilheterias bem fracas, tanto aqui quanto na terra natal dele. Eu sou do contra, gosto de um monte de filmes dele e, mesmo quando me decepciono com algum, sempre dou uma nova chance pro bom e velho Woody na produção seguinte.
Acabei de ver um documentário interessante sobre ele, que o Cinemax exibiu algum tempo atrás e eu tenho gravado em uma fita que ganhei quando trabalhava no Correio Braziliense. Um dos benefícios de ter sido subeditor do caderno de TV – receber fitas de filmes, seriados e programas dos canais por assinatura, além de alguns presentinhos bacanas, como um boneco do Hommer Simpson que canta “Shake your butty”.
Bem, depois de toda essa enrolação, vamos ao que (me) interessa. Pesquei desse documentário duas citações. Grandes coisas, Woody Allen é um dos caras que mais tem frases citadas no planeta. Ele mesmo faz ironia a isso no documentário, dizendo que pegam coisas que ele fala e transformam em grandes pérolas de sabedoria, e na verdade foram ditas despretensiosamente.
Fugi do assunto novamente. A primeira citação foi tirada do filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. No final, o personagem dele conta uma piada para ilustrar o que pensa dos relacionamentos. A piada é a seguinte: um cara vai ao psiquiatra dizer que o irmão enlouqueceu e pensa que é uma galinha. O médico então pergunta por que ele simplesmente não o interna. Ao que o sujeito responde: “Eu internaria, mas eu preciso dos ovos”. Então ele traça o paralelo: “Relacionamentos são totalmente irracionais, loucos e absurdos, mas continuamos passando por eles porque a maioria de nós precisa dos ovos”.
É, critiquem o pequeno Woody o quanto quiserem, mas reconheçam que o cara sabe alguma coisa sobre a vida. Eu preciso dos ovos, seja pra um omelete, um bolo, uma gemada... O bom dos ovos é que você pode fazer vários pratos gostosos com ele. Tudo bem, tem o problema do colesterol, você pode dar azar e pegar um ovo estragado, mas não me importo. Nada a ver com o que o Woody Allen quis dizer, eu sei. Ok. Divagação absurda essa minha. Como absurdos, loucos e irracionais são os relacionamentos, é o amor, sou eu.
Ah, tinha a outra citação, algo que o Woody disse na entrevista para o documentário, sobre o tema de um de seus filmes (Crimes e Contravenções, se não me engano): “Boas intenções não significam nada se você não é bem sucedido”. Engraçado é que agora, pensando melhor, não sei se concordo tanto com isso. Tudo bem, a sociedade valoriza exageradamente o resultado final, o sucesso, mesmo que tenha sido conquistado de maneira escusa. Mas tenho muitos amigos e familiares que são valorizados por mim e por vários outros por serem pessoas boas, e não por qualquer conquista financeira ou profissional. Talvez o mundo não seja assim tão cruel. Um bom pensamento pra terminar o dia.
segunda-feira, agosto 02, 2004
Mamma mia
Todos os dias da minha vida, tenho que agradecer a mãe maravilhosa que tenho. Dizer que ela me ama é um eufemismo. É impressionante, emocionante, o que essa mulher quase divina faz por mim e por tantos outros que têm a sorte de conhecê-la. Sinto-me como na famosa escultura Pietá, de Michelangelo, afagado e aquecido eternamente, no colo daquela que não só me trouxe ao mundo, mas me acompanha a cada batida do meu coração e enche minha existência de amor.Neste fim de semana, mamma teve que passar por uma cirurgia para extrair o útero e os ovários. Tudo correu bem e, após duas noites no hospital, ela já recebeu alta. Estive com ela nesta última noite e, claro, durante boa parte do fim de semana. Embora a cirurgia seja rotineira para os médicos e os prognósticos fossem excelentes, passei por alguns momentos de ansiedade. No entanto, poder estar ao seu lado e cuidar dela, retribuir um pouquinho a imensidão de coisas boas que ela já me deu, foi uma excelente experiência. Vê-la dormindo, ainda frágil após a operação, sabendo que o filho agora era quem olhava por ela, numa inversão de papéis, me deixou feliz, ciente de que sim, eu também sou uma pessoa boa, que bebeu, e ainda bebe, de uma fonte inesgotável de bondade.
Mamma, eu te amo tanto, tanto... E sei que o amor que insiste em pulsar em mim, mesmo nas horas mais escuras, nos becos aparentemente sem saída dessa vida, é mero herdeiro de um amor sem igual. Um amor tão absurdamente puro, sem nada pedir em troca, que me faz chorar o choro mais lindo a existir, de lágrimas que quando rolam no meu rosto brilham intensas pela alegria que tenho de ser seu filho. Obrigado, mãe. Muito obrigado.
Na foto, minha mãe ladeada pelas noras, netos e por um dos meus irmãos
